Como assim, depressão?
A depressão, segundo a OMS, é transtorno mental caracterizado por tristeza persistente e perda de interesse em atividades que normalmente são prazerosas, acompanhadas da incapacidade de realizar atividades diárias, durante pelo menos duas semanas. A depressão afeta o modo como a pessoa se sente, pensa e se comporta e pode desencadear diversos problemas emocionais e físicos.
Todas as pessoas em algum momento da vida já se sentiram ou se sentirão tristes, infelizes, abatidas, desanimadas ou decepcionadas, e dependendo do momento em que elas se sentem assim, podemos dizer que tais sentimentos estão dentro dos limites considerados normais.
Estar triste porque algo ruim aconteceu não gera nenhum espanto ou preocupação, porém, quando a tristeza passa a ser um sentimento constante, que se manifesta na maior parte do dia, quase que diariamente e por um período mínimo de duas semanas, é hora de acender a luz de alerta, pois a possibilidade de ser depressão precisa ser considerada.
Não existe uma causa única que resulte na depressão, ela é resultado da interação de vários fatores sociais, ambientais, psicológicos e biológicos. Em algumas situações, traumas psicológicos, luto e desemprego podem servir como gatilho para o transtorno. Em outras, o transtorno pode surgir aparentemente “sem motivo”, e há também casos em que a depressão surge em comorbidade com algumas doenças como as cardiovasculares, doenças hematológicas, doenças autoimunes e moléstias inflamatórias intestinais, por exemplo.
A depressão pode ocorrer em qualquer idade, mas a idade mais provável de ocorrência de um primeiro episódio é da metade ao fim da faixa dos 20 anos, estatisticamente as mulheres parecem ser mais jovens quando ocorre o primeiro episódio (entre 15 e 19 anos) e elas também são duas vezes mais afetadas pela depressão do que homens.
Dentre os fatores adversos que podem desencadear depressão, estão: pobreza, negligência ou trauma infantil, morte do cônjuge ou ente querido, divórcio e dificuldades financeiras. Situações adversas que ocorrem na infância são associadas à depressão de início precoce. A qualidade do envolvimento parental (ou percepção dos pais) durante a chamada primeira infância (do nascimento até os 6 anos de idade), é considerada um determinante provável de vulnerabilidade à depressão, e não se trata aqui, de perda parental (morte ou separação), mas sim da qualidade parental disponível para criança.
No caso de depressão em adolescentes, a separação de pais e suas consequências pode representar perda da segurança e instabilidade quanto ao futuro para os filhos, ocasionando sentimentos negativos nos mesmos, além de influenciar no autoconceito dos adolescentes, no que diz respeito à segurança pessoal, atitudes sociais e autocontrole.
Sintomas como: humor deprimido, interesse ou prazer diminuído, perda ou ganho de peso, perturbações do sono (dificuldade para adormecer, despertar no meio da noite, acordar mais cedo do que costuma e não conseguir voltar a dormir, hipersonia ou insônia), agitação ou retardo psicomotor, fadiga ou perda de energia, sentimento de inutilidade e culpa, dificuldade de concentração, e em casos mais severos, pensamentos suicidas recorrentes, devem ser levados em consideração se persistem e acarretam danos a rotina da pessoa.
Se você identifica boa parte dos sintomas acima, e eles perduram há duas semanas ou mais, atrapalhando sua qualidade de vida, é hora de buscar ajuda profissional. A remissão dos sintomas é possível com o tratamento adequado e suporte familiar (através da psicoeducação da pessoa que sofre com a doença e da família).
Depressão não é frescura, e pode ser considerada um dos principais transtornos mentais da nossa época.
Autora do texto: Danielle Loureiro
Psicóloga – CRP 20/02328
Referências: Licinio, Juio. Biologia da depressão/ Julio Licinio…[et al.].; tradução Ronaldo Cataldo Costa – Porto Alegre: Artmed, 2007. Maj, Mario. Transtornos depressivos/ Mario Maj e Norman Sartorios;trad. Claudia Dornelles – 2.ed – Porto Alegre: Artmed, 2005 https://www.scielo.br/j/pcp/a/v4F7W7zgPS5G7gyMJBrkbJq/?lang=pt https://www.scielo.br/j/pcp/a/9LjXWxd6BBS7SgDVkd4BzFR/?lang=pt
https://www.abrata.org.br/o-impacto-da-depressao/ http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/no-dia-mundial-da-saude-oms-alertasobredepressao/#:~:text=De%20acordo%20com%20a%20OMS,17%2C4%20milh%C3%B5es%20de%20casos




