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Desperdício de água potável no Brasil daria para suprir 66 milhões de pessoas

Relatório do Instituto Trata Brasil mostra que, nos primeiros seis meses de 2022, 40% de toda água potável captada no país foi perdida. Dados do relatório mostram uma piora se comparado à pesquisa anterior, em 2019, que registrava um desperdício de pouco mais de 39%. Na região Norte do país, a pesquisa revelou que o índice desperdício de água é ainda pior já que 51% de toda água produzida escorre pelas falhas dos sistemas de tratamento e distribuição de água.

Segundo estudo do Ministério do Meio Ambiente, em 2008 o Brasil possuía 12% de toda água doce do planeta. Por mais que esse número impressione, para os especialistas, o mito da riqueza hidrográfica do Brasil precisa ser reexaminado já que o estudo “Vegetação nativa perde espaço para a agropecuária nas últimas três décadas”, do instituto de pesquisas Mapbiomas, de janeiro de 2021, mostra que cerca de 15% da superfície de água do país secou nos últimos 30 anos. Em 1991, a superfície coberta por água era de 19,7 milhões de hectares. Em 2020, esse espaço baixou a 16,6 milhões de hectares.

De acordo com Luis Arís, gerente de desenvolvimento de negócios da Paessler LATAM, o estudo do Instituto Trata Brasil que com toda essa água potável desperdiçaria daria para suprir as necessidades hídricas de 66 milhões de pessoas no Brasil por 1 ano.

Arís explica que segundo a Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), dos 5.570 municípios brasileiros, somente 2.007 cidades contam simultaneamente com Estações de Tratamento de Água (ETA) – plantas que tratam a água antes de seu consumo – e Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), unidades dedicadas ao tratamento de efluentes industriais e domésticos. O executivo conta que há, ainda, um déficit de Estações de Tratamento de Água de Reúso (ETARs), voltadas para o reaproveitamento, em aplicações industriais, de água produzida por ETEs. “Afirmo isso me baseando no estudo “REÚSO: Instrumento de um novo modelo de gestão das águas”, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), do início de 2022, indicando que a região Sudeste contava com somente 16 ETARs em operação”, ressalta Arís

Para o executivo da Paessler tudo isso é muito preocupante pois, o outro lado desse quadro é que, segundo relatório de 2018 da Confederação Nacional da Indústria, até 2030, o uso de água no Brasil deverá aumentar em 24%, superando a marca de 2,5 milhões de litros por segundo. Arís conta que para evitar o caos, foi aprovado pelo Senado brasileiro, em junho de 2020, o novo Marco Legal do Saneamento Básico. “A nova norma impõe que, até 2033, mais de 90% da população brasileira terá de contar com fornecimento de água potável e com serviços de esgoto”, conta Luis. Em 2020, a média nacional de atendimento da população com sistemas de tratamento de água e de esgoto era de 46,5%, o equivalente a 82,1 milhões de pessoas (dado da Agência Nacional de Águas e Saneamento).

Arís avalia que para reduzir o desperdício de água potável no Brasil e alcançar as metas estabelecidas pelo governo brasileiro é necessário que as companhias e organizações de tratamento água tenham uma visão preditiva sobre as falhas no saneamento básico. “A tecnologia tem um papel fundamental e indispensável na luta contra o altíssimo desperdício de água potável no Brasil”, afirma.

*Estadão Conteúdo

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