Após três adiamentos, a Justiça marcou para esta segunda-feira (21) o júri popular dos cinco acusados de roubar, matar e queimar uma família em janeiro de 2020 no ABC Paulista. Todos os réus respondem presos aos crimes. O julgamento deles deverá começar a partir das 10h no Fórum de Santo André. A previsão é a de que a sentença saia até quarta (23). As informações são da assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
O caso repercutiu à época: a filha das vítimas e sua então namorada estão envolvidas nos assassinatos, segundo a acusação feita pelo Ministério Público (MP). Além delas, mais três homens estão presos pelos crimes . Vídeos de câmeras de segurança gravaram os cinco réus entrando e saindo da residência onde moravam o casal e seu filho _os três foram mortos no local.
Os empresários Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, e o estudante Juan Victor Gonçalves, de 15, acabaram assassinados com golpes na cabeça durante um assalto na casa deles, em um condomínio fechado em Santo André. Os crimes ocorreram em 27 de janeiro de 2020.
Os corpos só foram encontrados no dia seguinte. Estavam carbonizados, dentro do carro família, numa área de mata em São Bernardo do Campo, município vizinho a Santo André.
Entre os detidos preventivamente pelos crimes estão a filha do casal e irmã do garoto, Anaflávia Martins Gonçalves, e a então namorada dela, Carina Ramos de Abreu. Também foram presos os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, que são primos de Carina. O quinto preso é Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos irmãos Ramos.
Todos os acusados respondem presos por roubo, homicídio doloso qualificado (por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou as defesas das vítimas), ocultação de cadáver e associação criminosa. Eles estão detidos preventivamente em penitenciárias de Tremembé, interior paulista.
3 adiamentos

O julgamento deles chegou a ser marcado para 21 de fevereiro deste ano em Santo André, mas foi adiado pela Justiça porque uma das testemunhas faltou. Depois foi reagendado para 13 de junho, mas sofreu novo adiamento por causa da ausência de outras testemunhas.
A pedido das defesas de Anaflávia e Carina, o processo foi desmembrado pela Justiça. As então namoradas seriam julgadas então em 19 de setembro. E Juliano, Jonathan e Guilherme teriam o julgamento em 21 de novembro. Mas isso não ocorreu.
Como Anaflávia conseguiu uma autorização da Justiça para não comparecer em razão de um exame que não ficou pronto e peritos que eram testemunhas faltaram no julgamento de 19 de setembro, o juiz Lucas Tambor Bueno, do Fórum de Santo André, reunificou novamente os processos. E determinou que Anaflávia e Carina fossem julgadas juntamente com os demais três réus num só júri, marcado para esta segunda.
O magistrado irá conduzir o julgamento dos acusados e dar a sentença após a votação dos jurados. Sete pessoas serão escolhidas pela acusação e pela defesa para compor o júri. Elas votarão ao final se absolvem ou condenam os réus ou parte deles. O juiz redigirá o texto com a decisão da maioria. Se houver condenação, ele também aplicará as eventuais penas pelos crimes.
Os crimes

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público, três homens armados (Juliano, Jonathan e Guilherme) entraram no imóvel com a ajuda da filha do casal, Anaflávia, e da então namorada dela, Carina. Os cinco queriam roubar R$ 85 mil que estariam num cofre, mas como não encontraram o dinheiro, decidiram levar pertences das vítimas e matá-las.
“As rés Ana Flávia e Carina agiram por cobiça, pretendendo alcançar o patrimônio das vítimas. Quanto aos acusados Jonathan, Juliano e Guilherme, a prova oral indica que agiram mediante promessa de recompensa”, escreveu o juiz Lucas na decisão do ano passado, que levou os acusados a júri.
Os cinco réus foram presos durante as investigações da Polícia Civil. Câmeras de segurança gravaram a entrada da quadrilha na residência das vítimas.
Além disso, os investigados confessaram envolvimento no assalto. Eles foram indiciados por quatro crimes: roubo, assassinato, ocultação de cadáver e associação criminosa. No entanto, em relatos durante a reconstituição do caso, eles divergiram sobre quem matou a família e colocou fogo no carro.
Anaflávia e Carina acusam Juliano e Jonathan de matarem a família e explodirem o veículo em que as vítimas estavam.
Juliano e Jonathan, por sua vez, acusam a prima Carina de matar os empresários e o adolescente e, depois, queimá-los.
Guilherme, de 22 anos, vizinho dos irmãos Ramos, acusa Juliano de querer assassinar o casal e o filho. Guilherme teria participado mais diretamente do roubo, e não dos assassinatos, segundo sua defesa.
Audiências
Em setembro, outubro e dezembro de 2020, ocorreram três sessões da audiência de instrução do caso na Justiça. Por causa da pandemia de coronavírus, ela foi feita por videoconferência, com os réus acompanhando tudo por monitores de vídeo nas prisões onde estão detidos preventivamente.
Essa etapa do processo serviu para o juiz ouvir depoimentos de testemunhas, além dos argumentos da acusação e da defesa dos réus.
Durante o interrogatório dos acusados, somente Anaflávia e Carina falaram – as então namoradas confirmaram a versão que já haviam dado na reconstituição do caso. Os irmãos Ramos e Guilherme ficaram em silêncio.
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