Paulo Freire (1921-1997) foi um dos mais renomados educadores brasileiros e sua obra é referência ainda hoje no Brasil e no mundo. Nascido no dia 19 de setembro, no Recife, ele está sendo homenageado em seu centenário com debates sobre a atualidade de seu pensamento e sobre seu legado. Em São Paulo, o Itaú Cultural abre neste sábado (18*, a Ocupação Paulo Freire, com exposição em seu prédio na Paulista, uma publicação crítica e material multimídia, que inclui um site e podcasts.

Claudiney Ferreira, gerente do Núcleo de Audiovisual e Literatura e que faz parte da curadoria conjunta da Ocupação, explica que a opção, na mostra, foi por seguir uma linha cronológica. Assim que entra, o visitante conhece um pouco de sua vida familiar. O documento mais antigo ali, e que nunca foi exibido, é o livro do bebê de Paulo Freire. Há ainda fotos de família, os primeiros trabalhos acadêmicos deste advogado que abandonou a profissão logo no início para se dedicar à educação, sua tese e notas. Enfim, seus primeiros passos.

O último espaço mostra Paulo Freire pelo mundo. Por intermédio de uma instalação interativa, o visitante conhece as cátedras, institutos, centros acadêmicos, etc.
Paulo Freire não é uma unanimidade, nem nunca quis ser. Mas, de alguns anos para cá, ele tem sido alvo de ataques no País. Tanto que em decisão liminar, proferida na quinta, 16, a Justiça Federal do Rio de Janeiro proibiu o governo federal de “praticar qualquer ato institucional atentatório à dignidade do professor Paulo Freire”.
“Dizem que Paulo Freire estragou a educação brasileira. Mas falta investimento, o salário do professor é baixo, existe a concentração de renda, o País é excludente e corrupto. Dizer que ele é o responsável é um pensamento muito fora de sentido”, comenta Claudiney, que diz ainda que o foco de Paulo Freire era dar autonomia para as pessoas. “Que elas entendam o seu contexto e sua situação é péssimo para o conservadorismo. A liberdade de pensamento, e agregar qualidade a esse pensamento, é péssimo para os currais eleitorais. É por isso que ele tem sido odiado e por isso virou o alvo e inimigo dos radicais de direita que querem que as pessoas, a partir da escola, sejam submissas.”

Na opinião de Claudiney Ferreira, outra lição que fica é a do diálogo. “Ele falou sobre esse diálogo com pessoas que não têm necessariamente o mesmo pensamento que ele, que não tenta mudar essas pessoas, mas que ele estará sempre aberto para o diálogo. Isso tem que ser um exercício permanente.”
*Estadão



