Uma explosão deixou nesta sexta-feira (14) pelo menos 12 mortos em uma mesquita nos arredores de Cabul, rompendo o cessar-fogo provisório do Eid al-Fitr, pouco depois da retirada americana da base aérea de Kandahar, uma das mais importantes do Afeganistão.
“O balanço de mortos subiu para 12, incluindo o imã da mesquita, e outros 15 feridos”, disse o porta-voz da polícia da capital.
O atentado foi executado no segundo dia de uma trégua de três dias firmada entre o Talibã e as forças afegãs por ocasião do Eid al-Fitr, o feriado muçulmano que marca o fim do mês de jejum do Ramadã.
Horas depois, negociadores do governo e do Talibã anunciaram uma reunião no Catar nesta sexta-feira para discutir como acelerar as negociações de paz.
Os dois lados “insistiram em acelerar as negociações de paz”, disse um tuíte da equipe do governo afegão. O Talibã, por sua vez, tuitou que “ambas as partes concordaram em continuar as negociações após” Eid al-Fitr.
A violência sacode o país há semanas desde que os Estados Unidos deveriam ter retirado, em 1º de maio, seus 2.500 soldados ainda presentes no país.
O governador da província de Uruzgan, Fazel Ahmad Shirzad, acusou os rebeldes de terem violado duas vezes o cessar-fogo atacando as forças de segurança.
Segunda base americana no país
Na semana passada, aviões americanos decolaram da base aérea de Kandahar para auxiliar as forças afegãs que tentavam repelir uma ofensiva do Talibã.
A embaixada americana confirmou que a base foi entregue às forças afegãs.
“Eles entregaram todas as instalações às forças afegãs”, garantiu o diretor do aeroporto de Kandahar.
Esta base chegou a ser a segunda mais importante para as tropas americanas e internacionais presentes no país.
A província de Kandahar é um antigo reduto do Talibã no sul do Afeganistão e, nos últimos meses, foi palco de confrontos entre os insurgentes e as forças afegãs.
Washington e Otan se comprometeram a retirar todas as suas tropas ainda presentes no Afeganistão até 11 de setembro, data do 20º aniversário dos ataques de 2001 contra os EUA.
O Exército americano anunciou na terça-feira que avançou de 6% a 12% em sua retirada do Afeganistão.
Poucos são aqueles que pensam que as forças afegãs serão capazes de enfrentar o Talibã sem a proteção da força aérea e forças especiais americanas.
Nas últimas semanas, os combates se intensificaram em algumas províncias e, na terça-feira, o Talibã conquistou um distrito controlado pelo governo nos arredores de Cabul.
São cada vez mais numerosos os combatentes talibãs que circulam pelos grandes centros urbanos, sugerindo que apenas esperem a retirada dos americanos antes de lançar ofensivas em grande escala contra cidades em todo o país.
Em 8 de maio, mais de 50 pessoas foram mortas e quase 100 ficaram feridas em um bairro xiita no oeste da capital, em uma série de explosões em frente a uma escola feminina. Foi o ataque mais mortal em um ano.
As autoridades acusaram o Talibã, que negou ser o culpado.
*Fonte: © Agence France-Presse



