“Temos nossa cultura, nossos costumes e pedimos que as pessoas valorizem mais isso. Somos povos originários e estamos aqui para sobreviver”, diz Maira Gomes Godinho, 22, conhecida na internet como Índia Cunhaporanga. Com mais de 6,5 milhões de seguidores no TikTok, ela faz sucesso na internet ao compartilhar a rotina de sua família na comunidade indígena de Tatuyo, no Amazonas.
Para Cunhaporanga, o Dia do Índio, celebrado popularmente nesta terça-feira, 19 de abril, deve vir acompanhado de uma consciência durante o ano todo sobre a importância das culturas indígenas. Para ela, essa valorização vem através do conhecimento, algo que ela tem pregado nas suas redes sociais, mostrando ao seu público o dia a dia na aldeia.
Um vídeo de Cunhaporanga mostrando um prato com alimentos típicos da comunidade, incluindo uma larva chamada Mochiva, já tem quase 32 milhões de visualizações. Em outros, a jovem também compartilha adereços, rituais tradicionais e momentos de lazer com a família.
Acesso à internet
Cunhaporanga nem sempre teve os meios necessários para produzir conteúdo digital. A aldeia Tatuyo, localizada às margens do Rio Negro, na Floresta Amazônica, só passou a ter acesso à internet em 2019, através da HughesNet, serviço de internet banda larga via satélite da Hughes do Brasil que busca levar conexão e comunicação a assinantes em áreas remotas do País.
A instalação aconteceu após o pai da jovem pedir o serviço, motivado pela dificuldade que a falta de rede implicava nos estudos das crianças e adolescentes da tribo. De acordo com Cunhaporanga, os professores passavam lição de casa, mas os estudantes não conseguiam fazer a pesquisa necessária para as atividades somente com os livros que tinham em casa.
Com isso, o cacique contatou a empresa, que instalou as antenas que possibilitaram o uso do wi-fi. Para Rafael Guimarães, presidente da Hughes do Brasil, o serviço auxilia a conexão de aldeias como a Tatuyo com o restante do Brasil.
“Contribuímos com a inclusão digital no campo, em pequenas comunidades tradicionais e até em reservas indígenas. Um forte indício desse processo de inclusão é que hoje, para aproximadamente 70% de nossos assinantes, somos o primeiro serviço de internet ao qual eles têm acesso”, explica.
Cunhaporanga aponta que a internet não facilitou só a vida escolar. “Antes, a falta de comunicação era muito difícil, não somente entre a nossa comunidade, mas com todos os vizinhos do interior que tinham dificuldade quando sofriam um acidente ou passavam mal”, lembra.
“Hoje em dia, através da internet, você consegue fazer uma ligação e pode falar com a emergência ou o hospital para ir buscar alguém que está doente ou precisando de alguma ajuda. Essa foi uma vantagem que a gente conseguiu com o acesso da comunidade à internet”, completa.
*Estadão Conteúdo



