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Candidatos gastam milhões com cabos eleitorais; salários chegam a R$ 80 mil

O governador já repassou R$ 1,1 milhão para a empresa. Em nota, a campanha de Castro informou que “prestará contas de todos os gastos ao Tribunal Regional Eleitoral”. O Estadão não localizou Lucia Helena Siqueira Lopes de Jesus, sócia da Cinqloc A empresa de pequeno porte, registrada em um endereço residencial, foi aberta em 2014. Em junho deste ano, ganhou um pregão de R$ 17 milhões da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio), ligada à prefeitura da capital, para agenciar “serviços de gestão para apoio às atividades de operação de tráfego”, na zona norte.

No Ceará, o candidato a deputado federal Vaidon Oliveira (União Brasil) contratou uma empresa de transporte escolar a fim de recrutar mil cabos eleitorais. Para pagá-la, usará quase metade dos R$ 2,6 milhões que recebeu do fundo eleitoral. A Olivier Serviços e Locações vai ganhar R$ 1,05 milhão para fornecer funcionários à campanha. Segundo o site da Receita Federal, a empresa é especializada também em atividades de teleatendimento, construção de edifícios e coleta de resíduos perigosos. A Olivier já recebeu R$ 525 mil.

O candidato disse que a empresa foi recomendada pela equipe de contabilidade porque a taxa de administração era mais baixa. “É uma empresa de serviços. Se é serviços, presta qualquer tipo de serviços. Foi o que meu jurídico viu e me passou”, afirmou Oliveira.

O levantamento levou em conta 5 mil descrições diferentes para “atividades de militância”, “mobilização de rua” e “despesas com pessoal” informadas à Justiça Eleitoral por todos os candidatos. Na falta de uma padronização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada candidato pode aplicar o nível de detalhamento que preferir ao declarar seus coordenadores, entregadores de panfletos e agitadores de bandeiras.

As prestações de contas não permitem controle sobre quais são as atividades desempenhadas ou a carga horária aplicada a cada pessoa paga com dinheiro público nas campanhas. Cada candidato fica à vontade para lançar os valores.

Damares

As contratações da campanha de Damares, por exemplo, vão de pagamentos de R$ 990 a R$ 44 mil. Esses salários são pagos para serviços variados durante o período oficial em que os candidatos são autorizados a pedir votos.

Zildete Dantas é vendedora de produtos de beleza da marca Jequiti e foi uma das contratadas por Damares, por R$ 2,5 mil. “Recebi só um pouco. Tem de fechar o mês para saber o resto”, disse Zildete, ao argumentar que o pagamento não foi feito de uma vez.

O convite, segundo ela, veio por meio de um amigo que prestava serviços para o Ministério da Mulher quando a candidata chefiava a pasta. Zildete levou o filho, Jean Phillip, para trabalhar na campanha. Ele foi contratado por R$ 1,7 mil.

A aposentada Cleuza da Silva também foi chamada pela campanha de Damares, por R$ 2,5 mil e ganhou a função de “coordenadora de equipe” nas ruas de Brasília. “Já era minha candidata mesmo. Se eu não trabalhasse, seria minha intenção de voto e acabou surgindo (o trabalho)”, afirmou Cleuza. Procurada, a assessoria da campanha de Damares não respondeu.

*ESTADÃO CONTEÚDOS

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