Caso tenha alguma familiaridade com qualquer site, canal do youtube ou podcast de jogos, você sabe o que está por vir. Não, não há o que você possa fazer. Isso está além do seu (e do meu) controle. É inevitável e absoluto. Vou partilhar um top 10. Pelo menos, a primeira parte de um.
Porém, em vez de tentar colocar nele os MELHORES JOGOS DE 2021, vou colocar apenas coisas que joguei, as quais, honestamente, acredito que você irá achar interessante. Talvez um desses jogos tenha um estilo artístico tão único que o faz valer apenas por isso – não que seja sua única qualidade – ou então uma mecânica diferente o suficiente que traga um ar de novidade para um fórmula conhecida.
Vou tentar ficar longe daqueles jogos mais óbvios e até mesmo selecionar alguns lançados em outros anos. Mas, acima de tudo, vou colocar jogos divertidos.

THE ARTFUL ESCAPE
Há uma beleza única, difícil de reproduzir, em clipes musicais. Eles não são, necessariamente, filmes ou séries, mas muitos conseguem contar algo, seja uma história ou uma jornada pessoal, ou até mesmo dar uma representação visual para as emoções abstratas presentes nas músicas.
The Artful Escape é, de certa forma, um clipe musical jogável. A jornada de um jovem músico prodígio na tentativa de escapar da sombra de seu falecido tio, uma lenda da música folk, o leva para os cantos mais íntimos de sua mente e os mais longínquos do espaço, tanto figurativamente, quanto literalmente.
É um jogo de andar de um lado para o outro enquanto você pula, conversa com pessoas e, mais importante, toca sua guitarra. Esses simples comandos permitirão ao nosso herói, Francis Vendetti, iluminar uma pacata e pequena cidade, incitar uma revolução social, confrontar quem ele (acredita que) é e, mais importante, tocar muita música boa.

DREAD X COLLECTION: THE HUNT
Uma base remota no ártico pesquisa algo misterioso e sombrio que pode ser a resposta para algo igualmente misterioso e sombrio. A caçadora Arthemis recebe um pedido de ajuda vindo de uma das cientistas que lá reside. Chegando lá, não encontra nada além de uma instalação abandonada e um trabalho incompleto.
O processo de reabrir portas trancadas e dar continuidade ao projeto iniciado é feito por meio da descoberta de códigos, os quais estão escondidos, surpreendentemente, em outros jogos. Dread X Collection: The Hunt, fazendo jus ao seu nome, é uma coletânea de jogos pequenos, cujo maior dura 2 horas em uma primeira jogatina, os quais focam em diferentes formas de jogar e de terror.
Em determinado jogo, é apresentada uma empática história de “caça” de fantasmas; em outra, um caçador é contratado pelo CDC para abater animais infectados; um conto trágico retrata a busca de um londrino por seu amado e, também, temos a batalha de um padre para expurgar um demônio de uma mansão por meio de sua fé em cristo e muitos tiros.

HITMAN 3 (NA VERDADE A TRILOGIA TODA)
Hitman é um jogo difícil de definir. Poderia dizer que é um jogo de assassinato, pois esse é o objetivo nas diversas missões ao redor do globo, porém não seria claro o suficiente, afinal, muitos jogos, infelizmente, envolvem o ato de matar. Resolvi então que a melhor maneira de definir é explicar como uma missão funciona.
Em determinado momento, temos que assassinar a diretora de um banco. Ela está em uma sala no mais alto andar, enquanto começamos no saguão principal, podendo andar livremente por ele, mas sem acesso à determinadas áreas.
Diante dessa situação, nós temos, entre outras possibilidades: nocautear um candidato a estágio, usar suas roupas, passar no teste de admissão e ter acesso às proximidades da sala da diretoria; nocautear um rapaz prestes a ser demitido, usar suas roupas e ter uma reunião de dispensa com a diretora; desligar a internet do estabelecimento, nocautear alguém da equipe de TI e ter acesso ao roteador de WI-Fi, o qual fica convenientemente próximo da sala da diretora.
Como pode ter notado, Hitman não é um jogo sobre “não ser visto”, mas sim sobre “não ser descoberto”. É um jogo que recompensa a criatividade e a observação, além de contar com uma excelente história de descoberta pessoal e de rebelião contra o sistema. Ele é o melhor jogo de 007 já feito, tanto é que sua desenvolvedora está, no presente momento, fazendo um jogo justamente sobre o espião inglês.

TITAN CHASER
Está de noite. Um dragão paira pelos arredores da cidade. Todos estão em casa em razão de um lockdown decretado pelo governo. Todos, menos você.
Mas você não é uma guerreira ou uma caçadora, mas sim uma servidora pública cujo trabalho é, usando um carro disponibilizado pelo estado, encontrar essas criaturas gigantescas e dóceis, as quais têm tanto medo de você quanto você tem delas e, de alguma forma, guiá-las de volta para suas tocas, covis e regiões.
Não há um real perigo, apenas um trabalho a ser feito. Então, toda à noite, você dirige seu carro ao som de músicas atmosféricas ou programas antigos enquanto lê instruções e um mapa, os quais servem para auxiliar o seu serviço.
É, para todos os efeitos, um jogo tranquilo, com um clima agradável e uma história que, surpreendentemente, é muito mais íntima do que aparenta.

DOOM ETERNAL – THE ANCIENT GODS PART TWO
O mais recente DOOM foi um dos melhores jogos de 2020. Raramente uma obra consegue unir tudo – visual, som, trama e jogabilidade – em um todo tão coeso e tão bem-feito. Ou seja, é bonito, tem músicas legais, a trama é tão boba quanto intrigante e o ato de atirar em muitas coisas (que você fará bastante) é intoxicante.
Esse “The ancient gods part two” no título é pelo seguinte: quero chamar atenção à segunda expansão, a qual saiu esse ano e finaliza a jornada do jogo principal. Ou seja, a desenvolvedora, que já tinha feito uma obra incrível em DOOM Eternal, pôde lapidar seus conhecimentos e domínio da ferramenta.
O resultado disso é algo que é, do início ao fim, de tirar o fôlego. Com cenários exuberantes, batalhas muito bem construídas e eventos espetaculares, a expansão finaliza a jornada de uma maneira que demonstra, perfeitamente, a razão pela qual DOOM foi e (sempre) será um marco nos videogames. E vale ressaltar que a última fase dessa expansão é tão, mas tão excepcional, que deveria ser estudada e experimentada por todos.




