Em clima de vitória, uma das primeiras desde o início da guerra, ucranianos celebraram nas ruas com festa e música a reconquista da cidade de Kherson, uma das maiores do país e tomada de volta da Rússia na sexta-feira (11).
Foi “um dia histórico” segundo o presidente do país, Volodymyr Zelensky, e uma “vitória extraordinária”, para o secretário de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, em declaração neste sábado (12).
Na noite desta sexta-feira, moradores de Kherson, refugiados há meses em Kiev, comemoraram a notícia com euforia.“Finalmente minha cidade livre, aquela onde nasci, onde vivi toda minha vida”, declarou Nastia Stepenska, com lágrimas nos olhos e as cores nacionais pintadas sobre o rosto.

“Quando eles [os russos] chegaram, foi horrível, não sabíamos o que aconteceria no dia seguinte, se continuaríamos vivos”, disse a estudante de 17 anos.
Em posição estratégica – ao lado da península ucraniana da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014 e à beira do Mar Negro -, Kherson foi a única grande capital regional capturada por Moscou desde o início da invasão russa ao país vizinho, em 24 de fevereiro deste ano. E uma das primeiras cidades totalmente tomadas pelas tropas russas.
Em setembro, no entanto, a Ucrânia pôs em ação uma ambiciosa campanha de reconquista de territórios ocupados pelos russos, com o apoio logístico e armamentista de países do Ocidente. Kherson foi uma das principais miras do novo plano, e, com planejamento tático, forças ucranianas entraram em peso na cidade.
Nesta semana, o Ministério da Defesa russo já havia anunciado que cerca de 30.000 de seus homens haviam deixado a região. Há relatos de que muitos soldados de Moscou fugiram.
“Parece que os ucranianos acabaram de obter uma vitória extraordinária: a única capital regional que a Rússia conquistou nesta guerra está agora de volta sob a bandeira ucraniana, o que é notável”, declarou Sullivan.
“Hoje é um dia histórico. Estamos retomando o sul do país, estamos retomando Kherson”, afirmou Zelensky, em seu discurso na noite de sexta-feira.
O ministro ucraniano das Relações Exteriores, Dmitro Kuleba, afirmou neste sábado (12), no entanto, que “a guerra continua”. “Mas a guerra continua. Entendo que todos querem que essa guerra termine o mais rápido possível. Definitivamente, somos nós que queremos isso mais do que ninguém”, disse.
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