Darya Dugina, filha do pensador russo Alexánder Dugin, morreu neste sábado (20) em Moscou, após a explosão de um veículo onde ela viajava, às 21h45 no horário local, segundo investigadores do Estado russo. Foi aberta uma investigação com hipótese de assassinato.
O chefe do Comitê de Investigação da Rússia ordenou que a filial central da instituição assumisse a investigação.
“Um dispositivo explosivo foi colocado na parte de baixo do carro do lado do motorista. Darya Dugina, que estava ao volante, morreu no local”, disse o comitê em comunicado. A imprensa russa informou que o veículo colidiu em uma cerca antes de ser tomado pelas chamas.
Ainda no comunicado, o comitê diz que “a investigação acredita que o crime foi planejado com antecedência e foi contratado por terceiros”.
Pai e filha estavam participando de um festival nos arredores de Moscou, e Dugin decidiu trocar de carro no último minuto, informou o jornal do governo russo Rossiyskaya Gazeta.
A agência de notícias estatal russa Tass citou Andrei Krasnov, amigo de Dugina, dizendo que o veículo pertencia a seu pai e que, provavelmente, Dugin era o alvo do atentado.
Segundo a mídia russa, Alexánder Dugin foi hospitalizado após a morte da filha.
Dugin é o pensador mais influente da Rússia, e acredita-se que esteja por trás da anexação da Crimeia pelo presidente russo Vladimir Putin em 2014.
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, disse em um post do Telegram que, se fosse encontrada alguma ligação da Ucrânia com o caso, seria “terrorismo de Estado”.
Um assessor do presidente Volodymyr Zelensky refutou as acusações de que a Ucrânia estaria envolvida na morte. “Enfatizo que a Ucrânia, claro, não tem nada a ver com isso, porque não somos um Estado criminoso, como é o caso da Federação Russa, e muito menos um Estado terrorista”, disse Mykhailo Podolyak.
Influência de Dugin no governo Putin
O pai de Darya Dugina, Alexánder Dugin, é um analista e estrategista polêmico, conhecido por visões ultranacionalistas.

Dugin segue o eurasianismo, filosofia que acredita que a Rússia é uma civilização separada e única, um império que batalha por seu lugar de direito junto às potências mundiais.
Ele também defende que é papel da Rússia desafiar a dominação dos Estados Unidos no mundo.
Dugin se aproximou de Putin no ano 2000, no início de seu governo. Na época, Putin disse publicamente que “a Rússia sempre se viu como um país eurasiano”.
Depois disso, Dugin afirmou que a frase de Putin foi “histórica, grandiosa e revolucionária”, que “mudou tudo”.
Outras ações do governo russo, como a influência nas eleições dos EUA, o Brexit e os conflitos no leste da Ucrânia e da Geórgia, também são exemplos da influência das ideias de Dugin sobre Putin e seus aliados.
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