Há 100 anos ocorre o processo de reciclagem no Brasil, uma das primeiras indústrias a utilizarem a matéria prima foram as indústrias de celulose. E com o passar do tempo, o conceito foi se expandindo e hoje a reciclagem é um tema que faz parte da consciência ambiental e cidadã.
Conforme dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil gera por ano 80 milhões de toneladas de lixo e apenas 4% são reciclados. Em Manaus, a taxa é ainda menor, 2,2%,segundo a Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp).
Projeto Rip Art Reusa
O projeto Rip Art Reusa é apenas um entre vários projetos sociais voltados para educação ambiental, economia sustentável, artesanato e capacitação profissional. Foi criado por um grupo de pessoas que moram no local, justamente para combater a degradação ambiental, principalmente em áreas periféricas da cidade de Manaus. Atualmente, eles não recebem nenhum tipo de renda com o projeto.

O projeto já funciona na cidade a mais de cinco anos, hoje conta com aproximadamente 30 pessoas ajudando voluntariamente nessa ação, mesmo em um ano atípico. A líder comunitária do projeto é a dona Maria Cristina, moradora do bairro Redenção onde iniciou o projeto.
“O projeto funciona através de oficinas trazendo ensinamento da sustentabilidade e educação ambiental. As pessoas podem nos ajudar fazendo parcerias ou vindo nos visitar para conhecer melhor o projeto, arrecadamos recursos como pet, papelão e outros. Nós não temos uma meta, recolhemos o que a comunidade oferece”, relatou dona Maria.
O projeto Rip-Art Reusa está localizado na beira do igarapé do Gigante, no bairro Redenção, zona oeste de Manaus. No projeto, o processo de transformação dos materiais recicláveis é realizado uma vez por semana por mulheres.
“As senhoras vêm até a sede, dividimos em duas turmas, uma parte pela manhã e outra pela tarde, elas fazem bonecas, puffs, tapetes, peso de porta e etc”, contou a líder comunitária.

O processo de reciclagem impacta diretamente o meio ambiente, reintroduzido na cadeia produtiva itens com potencial de reaproveitamento e que seriam descartados de forma errada. A reciclagem serve para dar nova vida a resíduos, evitando desperdícios e poluição de rios, mares e a própria contaminação da população.
Dona Maria relata também que foram prejudicados com a pandemia de Covid-19 e tiveram que se reinventar para não ter que fechar o projeto. “Devido a maioria das pessoas serem mulheres e serem de idade, tivemos que ficar em casa fechar a sede. Montamos uma linha de frente com os mais jovens e ensinei a costura e pegamos encomenda de máscara, foi como conseguimos”, comentou
Artesanato
A pandemia trouxe uma nova realidade para milhares de famílias, principalmente para as pessoas que vivem da reciclagem, assim a população teve que se reinventar e adaptar a este novo cenário.
O artesão Antônio Carlos, 60, trabalha com artesanato há 20 anos, o papelão, o jornal, a garrafa pet, entre outros materiais recicláveis é o que ajuda a manter sua renda.
“Eu trabalho com garrafas personalizadas de vidro, jornal, CD ‘s, mas também faço outros trabalhos com reciclagem como por exemplo os puffs, travesseiros de apoio para cabeça feitos com garrafas pet, cestos feitos com papelão e jornal e diversos outros. Eu larguei a eletrônica por causa do artesanato e já trabalho com isso a muito tempo”, disse seu Antônio.

Durante 15 anos seu Antônio foi artesão de uma Instituição, que hoje já não existe mais.
“Eu fui artesão de uma instituição chamada ‘ONG Amazônia Viva’ a 15 anos, trabalhei para eles durante muito tempo ministrando cursos, mas hoje não mantenho mais contato,” comentou.
Antônio Carlos também conta como foi que começou a sua paixão pelo artesanato. “Eu trabalhava no distrito industrial como técnico eletrônico, um dia vi alguém fazendo arte com jornal e gostei, fiz dois cursos de aperfeiçoamento no Cetam, logo na primeira exposição fui convidado para trabalhar na ‘Amazônia Viva’ e não parei mais”, contou.

Apesar de há muito tempo seu Antônio viver do artesanato ele não possui loja física, mas conquistou clientes fiéis ao longo desses anos. Atualmente ele trabalha só por encomenda e para quem quiser saber mais sobre seu trabalho pode entrar em contato pelas suas redes sociais.
“Exponho meu trabalho nas minhas redes sociais, facebook e Instagram. É só procurar pelo meu nome, Antônio Carlos Sousa Dias, ou pelo meu gmail que é sousadias.antoniocarlos@gmail.com”, finalizou seu Antônio.

Lixo eletrônico
Os aparelhos eletrônicos estão hoje entre os mais usados e descartados de forma errada na natureza, assim como os outros materiais recicláveis mais comuns, os ‘lixos eletrônicos’ também trazem prejuízos ao meio ambiente se descartados de qualquer forma ou em qualquer lugar. Em cada país existe um local específico para o descarte correto desses objetos eletrônicos, cabe a cada indivíduo buscar se informar o melhor local na sua região que receba esse tipo de lixo.

De acordo com o Green Elétron (gestores de logística reserva) os componentes dos aparelhos elétricos e eletrônicos são feitos de plástico, vidro, metais, entre outros materiais. No processo de reciclagem, os equipamentos descartados pela população são desmontados e as partes transformadas em matéria-prima para a indústria. Uma das vantagens do processo de reutilização é que diminui-se a extração desses elementos da natureza, economizando recursos. O processo de extração de matéria-prima a partir de eletroeletrônicos sem uso é chamado de mineração urbana.
Existem dois caminhos por meio dos quais a população consegue descartá-los com responsabilidade. Um deles é a devolução ao fabricante. Muitas marcas mantém pontos de recebimento destes aparelhos, em que seus produtos já sem uso podem ser depositados, com a garantia de que serão encaminhados para um sistema de logística reversa. Isso é, inclusive, previsto na Política Nacional dos Resíduos Sólidos (Lei Nº 12.305), que determina que é de responsabilidade do fabricante destinar corretamente o montante de resíduos criado por seus produtos. Outro caminho a seguir é depositar em pontos de descarte instalados por gestoras da logística reversa de eletroeletrônicos, ou popularmente chamado de reciclagem do lixo eletrônico, que farão todo o trabalho de transporte, manejo e reciclagem dos resíduos.



