Supermercados, mercadinhos e demais estabelecimentos comerciais estão proibidos de realizar a venda de sacolas plásticas em todo o Amazonas, conforme determina a Lei nº 6.077 de 5 de dezembro de 2022, publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) da última terça-feira (6).
O texto, sancionado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima, descreve o tipo de material de sacola plástica proibida e orienta que os estabelecimentos comerciais estimulem a população amazonense a usarem sacolas reutilizáveis, como ecobags, por exemplo.
Para a bibliotecária Siméia Ale, que não utiliza mais sacolas plásticas há dois meses, essa medida é de grande importância para o estado.
“Não uso mais sacolas plásticas. Principalmente quando veio direto de casa. Hoje como tive consulta médica não consegui trazer minha sacola. Mas sempre que venho ao supermercado eu procuro caixas vazias para não utilizar as sacolas do supermercado. Eu tenho a consciência de que o plástico é algo muito difícil para degradar na natureza. Procuro fazer a minha parte em relação à ecologia”, descreveu a bibliotecária.
Siméia ainda criticou os estabelecimentos que continuam vendendo sacolas plásticas pois, segundo ela, dificulta a conscientização dos malefícios que estes produtos causam à natureza.
“O ideal é que os estabelecimentos não vendessem para as pessoas não utilizarem sacolas plásticas. Sabemos que nosso clima está cada vez pior aqui no Amazonas por conta do uso desordenado dos recursos da natureza”, acrescentou.
Consciência ambiental
Em entrevista à A CRÍTICA, a porta-voz do Grupo DB, Elane Medeiros, contou que a rede de supermercados já adota há dois anos uma política de conscientização ambiental.
Todas as unidades do estado, conforme a gerente, fornecem caixas de papelão aos clientes de forma gratuita. Além de realizar a venda de sacolas biodegradáveis, como outra opção mais cômoda aos consumidores.
“A sacola retornável é produto vendável como os demais produtos da rede. A maior ênfase é o fornecimento gratuito das nossas caixas de papelão que são reutilizadas da própria operação. Dos produtos que nós fazemos das mercearias, do bazar. Nós disponibilizamos essas caixas e o cliente acondiciona seus produtos nelas”, descreveu a gerente de RH da rede.
Medeiros acrescentou que a rede de supermercados também se preocupa no trajeto das mercadorias do caixa até a área do estacionamento.
“Também temos nossas cestas e carrinhos que foram ampliados. Nesse período do ano fazemos uma manutenção pesada neles. Foram feitas todas as melhorias no trajeto da loja. Percebemos que os próprios clientes já dispõem dos seus carros, suas caixas também. O que tem acontecido é a criação de um hábito, tanto do cliente utilizar suas ecobags, como também utilizar seu material de deslocamento”, acrescentou Medeiros.
A gerente do DB explicou ainda que está crescendo o número de clientes que já vem com sacolas retornáveis, o que facilita o fluxo dentro do supermercado.
“A gente sabe que em algum momento não teremos mais sacolas plásticas disponíveis. Mas futuramente teremos outras formas de armazenar e transportar as mercadorias. No supermercado temos muitas miudezas. É um desafio, mas estamos trabalhando para buscar novas soluções. Possivelmente vão surgir outras indústrias. O comércio em geral para que o cliente tenha comodidade e não perca os produtos comprados”, comentou a gerente.
Resistência
Entretanto, não são todos os amazonenses que estão adeptos a aderir este novo hábito. Segundo Luciano de Oliveira, proprietário do Mercadinho Três Irmãos, há 34 anos, muitos clientes têm reclamado por conta do estabelecimento não fornecer mais sacolas plásticas.
“Eu quis aderir como os grandes supermercados estavam fazendo. Trouxe várias sacolas sustentáveis para vender. Todas foram vendidas e não houve o reestoque. Coloquei algumas caixas de papelão também. Muitos clientes reclamavam pois preferiam as sacolas plásticas, foram até rudes com nossos funcionários”, relatou Oliveira.
O proprietário ressalta que vai continuar seguindo a determinação da lei e que espera que toda a população reconheça a importância de não usar sacolas plásticas.
“Acredito que a poluição realmente é muito forte. As pessoas se acostumaram com isso. Tudo isso que já acontece há muitos anos, não é fácil para desacostumar. Mas, acredito que nós vamos conseguir. É raro, mas tem pessoas que vem com sacolas de pano, de lona, essas sacolas que não agridem a natureza. É bom para mim, bom para os clientes, bom para todos os cidadãos. Todos nós vamos ter que fazer um esforço. De uma hora para outra é difícil, mas vamos conseguir”, finalizou o proprietário do mercadinho.
*A crítica



