E os narcotraficantes mostram quem manda no Amazonas
Vivemos neste último fim de semana dias que ficarão na história do estado do Amazonas. A fragilidade do sistema de segurança pública foi exposta nas redes sociais e em aplicativos de mensagens em perfeitos áudios e vídeos. A facção criminosa de tráfico de drogas Comando Vermelho, em reação ao assassinato de um dos seus líderes pela polícia militar, se revoltou e tocou o terror transformando a região metropolitana de Manaus em uma terra sem lei. Pela madrugada de sábado, se estendendo durante todo dia de um ensolarado domingo, narcotraficantes dispararam tiros contra delegacias, prefeituras de cidades do interior, incendiaram ônibus, bancos, prédios públicos, escolas, praças públicas e estabeleceram um verdadeiro “toque de recolher” que foi cumprido rigorosamente pela população amedrontada e órfã de um Estado que lhes garanta dignidade. A ousadia e afronta foi tamanha que nem unidades básicas de saúde e ambulâncias deixaram de ser alvo dos marginais. Até nas guerras os hospitais e todo o aparato de socorro às vítimas são respeitados e não são alvos, mas o Comando Vermelho não respeitou nada e nem ninguém. Da parte do governo do estado se viu um governador, ao lado do secretário de segurança, com discursos frágeis e sem dar qualquer explicação contundente do que seria feito pelo poder público para reestabelecer a ordem. Em seis meses de 2021 foi possível constatar da pior maneira como os setores de saúde e segurança públicas do Amazonas são mais do que deficientes, são vergonhosos e medíocres. Faltam claramente inteligência, estrutura, capacitação e apoio aos servidores. Mas falta, acima de tudo, vergonha na cara a muitos gestores públicos e parlamentares do Amazonas. Mais uma vez, o povo amazonense alegre, hospitaleiro e fraterno vive dias que jogam a sua dignidade mas chamas, literalmente.
Tu é doido! Queimaram a Bola das Letras e o David pirou.
Enquanto o Comando Vermelho imitava o Imperador Nero e incendiava bancos, ônibus e fechava ruas com pneus em chamas, o prefeito de Manaus, David Almeida, estava recolhido sem dar um pio. Mas bastou os vagabundos tocarem fogo na recém revitalizada e reinaugurada praça da Bola das Letras, no bairro Dom Pedro, que o menino do Morro da Liberdade se revoltou. Foi até a rotatória, reuniu a imprensa e deu uma entrevista coletiva mordido. David disse que os traficantes não respeitavam mais ninguém e que só tinham depredado aquele patrimônio porque a Guarda Municipal não estava armada. E disse mais: contou que ligou pro governador, pro Comando Militar da Amazônia, pro Ministro da Segurança Pública e que ia ligar pro amazonense Jair Bolsonaro pra que algo fosse feito contra os traficantes. David queria o exército nas ruas de Manaus para garantir a segurança pública (por um instante teve gente pensando que o exército era pra ajudar o secretário Sabá Reis a repintar as calçadas). Pense num cara indignado, o prefeito de Manaus. Ao seu lado na entrevista estava o carrancudo delegado da Polícia Federal, Sérgio Fontes, segundo o prefeito, o futuro secretário de segurança de Manaus, e o tristonho secretário de Meio Ambiente, Sabá Reis. A tristeza de Sabá se justifica porque ele na quarta-feira anterior tinha inaugurado aquela praça mais alegre que pinto na merda e ao ver seu mais novo filho todo queimado o coração do parintinense se afogou em lágrimas.
Bancada da bala tripudia sob o padecimento da população.
Alguns militares aproveitaram a vibe das últimas eleições para se elegerem. É que em 2018, a população brasileira revoltada com os roubos que os PTistas faziam no Brasil, resolveram destronar Lula e sua quadrilha e elegeram um grande número de políticos rotulados como os da “pauta da bala”. Cabos, sargentos, soldados, coronéis, generais, capitães encantaram os eleitores com discursos de moralidade, respeito à pátria e tolerância zero contra corrupção, crimes e tudo mais que aflige a população de bem. O Amazonas elegeu os deputados federais Alberto Neto, Capitão da Polícia Militar, e Pablo Oliva, delegado da Polícia Federal. Como deputados estaduais, os amazonenses elegeram Pericles Nascimento, delegado da Polícia Civil e o também da polícia militar do Amazonas, o Cabo Maciel. Ainda com resquícios de 2018, os manauaras elegeram o vereador Carpê, que é capitão da Polícia Militar. Enquanto a cidade ardia em chamas, alguns destes nobres parlamentares estavam com migué nas redes sociais gravando vídeos onde eles apareciam correndo atrás de ladroes nos becos, ruelas e pontes de palafitas na periferia de Manaus, junto com os de fato guerreiros da polícia militar. Outros parlamentares nem de casa saíram. Deve ser porque conhecem bem a força dos traficantes e não ousaram descumprir a determinação da bandidagem de ficar em casa. A bancada da bala neste fim de semana teve a oportunidade de mostrar à população pra que foram eleitos, mas aproveitaram pra tripudiar sob o padecimento de um povo sofrido. Ao invés de com seus mandatos buscarem apoio nacional para o enfrentamento dos narcotraficantes no nosso estado, que esse também é o papel dos representantes do povo, optaram em fazer fiscela. Ninguém merece.
Tá ligada, Dra. Jaiza?
Atuante das redes sociais por dar pitaco em tudo que é assunto, a juíza federal Jaiza Fraxe recomendou que a população colabore com o sistema de segurança pública ficando em casa aguardando a calmaria. Certíssima a magistrada. Não dá pra desafiar traficantes ainda mais quando os poderes públicos se mostram piabinhas frente às gigantes piraíbas do tráfico de drogas. Mas só algumas perguntas: e como o judiciário pode colaborar com o sistema de segurança? Essa ajuda pode ser não liberando na segunda-feira de manhã os meliantes presos pela polícia no domingo carregando garrafas com gasolina? Sabemos que não é responsabilidade da justiça federal isso, mas a senhora poderia ajudar a população a compreender isso? Ou melhor, a senhora poderia ajudar a mudar isso? Diz aí, Doutora. Tá ligada?
Antes era só gritar “te cuida, galeroso” que tudo se acalmava.
A falta de competência dos poderes públicos é tão grande que a população desde sábado, com os atentados provocados pelos traficantes do Comando Vermelho, vem se manifestando e registrando um saudosismo horripilante. Nas décadas de 1980, 1990 e 2000 tínhamos no estado alguns pseudos heróis que criaram fama combatendo a ferro e fogo a criminalidade. Era “olho por olho, dente por dente”, como no Velho Testamento. Eram os linhas dura da polícia. Com eles não tinha “nem choro, nem vela” com os criminosos. Dois desses personagens que dividiam opiniões eram, os hoje falecidos, delegado Klinger Costa e o deputado Wallace Souza. Ambos eram vistos por parte da população como verdadeiros vingadores e exterminadores de bandidos. Outra parte do povo os condenavam acusando-os de cometerem crimes contra os direitos humanos. Nunca foi provado ou comprovado nada sobre eles no sentido de cometerem atos ilegais no combate ao crime organizado, mas existe até hoje a história de que com Klinger e Wallace nas ruas vagabundo não tinha vez. Ter saudade de uma atuação da força policial liderada por estas lendas é a prova de que a segurança pública no Amazonas passou um dos seus maiores vexames neste fim de semana. Saudade de ouvir os irmãos coragem gritando “te cuida, galeroso”, né?
Neymar e companhia arregaram e vão jogar a Copa América.
Depois de uma ameaça velada e não assumida publicamente de que não jogariam a Copa América deste ano, o atacante Neymar, seus companheiros de time e a comissão técnica da seleção brasileira de futebol confirmaram que vão participar do torneio que se inicia no próximo fim de semana, aqui no Brasil. A TV Globo, comumente chamada pelos seguidores do amazonense Jair Bolsonaro de Globolixo, fez uma campanha contra a realização do campeonato no nosso país, mas em nada isso intimidou a CBF, a Conmebol, alguns governos estaduais e o governo federal. Então, todos ligados no SBT a partir do dia 13 para acompanhar os jogos.
“Falei mermo!”
“A estratégia de Bolsonaro é clara: mentir para mudar a narrativa dos fatos e assim acobertar a sua gestão ineficiente e omissa.”
Tabata Amaral, deputada federal, sobre o amazonense Jair Bolsonaro.



