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Torcedores da Argentina protestam após dificuldades na compra de ingressos de final da Copa

Três dias antes da final da Copa do Mundo, cerca de 300 torcedores da Argentina ocuparam a calçada em frente a um hotel em Doha, no Catar, onde estão hospedados dirigentes da AFA (Associação de Futebol Argentino).

Eles protestavam contra a dificuldade que enfrentam para conseguir ingressos para o jogo contra a França, no domingo, no Estádio Lusail, pela grande final da Copa do Mundo.

Alguns exigiam que a AFA distribuísse ingressos, outros pediam que os dirigentes ajudassem a conseguir entradas “a preços oficiais”.

Um representante dos torcedores conseguiu entrar no hotel e ser ouvido. Voltou com a orientação de preencher um formulário e aguardar novas orientações. O protesto dispersou sem que ninguém conseguisse ingresso.

A final da Copa do Mundo está com ingressos esgotados e a única maneira de consegui-los é no mercado paralelo — em que são anunciados por preços a partir de US 4 mil (cerca de R$ 22 mil).

— O governo do Marrocos distribuiu ingressos para os torcedores deles. Por que o nosso não pode fazer o mesmo? — disse Miguel Gonzalez, 63 anos, um médico de San Juan (norte da Argentina).

O que começou com algumas dezenas de pessoas movidas mais por curiosidade do que por ânsia de protestar logo virou uma manifestação mais forte, com músicas inventadas na hora e cartazes confeccionados ali mesmo.

Dezenas de argentinos também se concentraram em frente ao centro principal de ingressos da Copa do Mundo. Um protesto estava marcado para o local, mas eles se deslocaram para o hotel onde estão os dirigentes da AFA.

Cambistas caminhavam por ali e ofereciam entradas com valores que variavam entre US 2,5 mil (R$ 13 mil) a US$ 4 mil (R$ 21 mil) para os piores setores do estádio. O valor mais caro no preço oficial da Fifa é de 1,76 mil riales catarianos, R$ 2,5 mil.

Alguns torcedores acusam a AFA de distribuir ingressos para os barra bravas, torcedores organizados da Argentina, e estes revendem aos preços abusivos. Juan Di Vincenzo, torcedor que acompanhou todos os jogos da Argentina até aqui, não sabe se vai poder ir à final.

— Eu estou no Catar há um mês. Vi os outros seis jogos. Paguei o preço oficial em quatro partidas e comprei de revenda em duas. Mas para a final, é impossível pagar o que pedem. Posso pagar, no cartão de crédito, o maior valor oficial. Os cambistas pedem US$ 4 mil em dinheiro. É surreal — afirma o argentino.

— Estou aqui há um mês, fui a todos os jogos. Mas para a final está impossível conseguir. Eles poderiam nos ajudar a comprar de algum jeito que não seja via cambistas — disse a empresária Natalia, 43, de Buenos Aires, que não quis dar o sobrenome.

Quando perguntada quanto gastou na Copa, sorri resignada.

— Foi tanto dinheiro que perdi a conta.

*GE

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