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Trabalhadores do comércio relatam situação precária em meia a enchente na Manaus Moderna

A Manaus Moderna, uma das tradicionais feiras da capital amazonense, anualmente é afetada pela subida dos rios, no Centro da cidade. A situação de calamidade, associada ao período pandêmico, tem feito com que feirantes e comerciantes que atuam na região precisem trabalhar em condições precárias, colocando em risco sua saúde e bem-estar.

Foto: Divulgação

A equipe de O Primeiro Portal ouviu os trabalhadores do comércio para saber o estão achando das medidas preventivas adotadas pela Prefeitura de Manaus para ajudar a região. Entre as providências anunciadas estão a construção de pontes e passarelas, além do projeto da feira provisória da Manaus Moderna, feita sobre uma balsa para diminuir impactos causados aos 220 comerciantes que têm box no local. 

Alguns feirantes encaram de forma positiva a construção da feira flutuante da Manaus Moderna, inaugurada nesta quarta-feira (19/05), pois mesmo com as dificuldades da cheia não precisam parar suas vendas. “Vai ser melhor, porque aqui está alagando tudo. Lá (na feira flutuante) pelo menos vai estar seco, bonitinho. O entorno da alagação no Centro fica ruim de estacionar, a água fica com mal cheiro, e diminui o movimento das pessoas”, afirmou o feirante Frank, 42 anos.

Foto: Israel Mitta

No entanto, outros feirantes consideram a medida negativa. Alguns dos fatores prejudiciais apontados por eles são a redução do fluxo de pessoas na feira flutuante, a dificuldade de fazer o deslocamento dos objetos das lojas para a balsa e a exposição ao sol.

Segundo o comerciante Carlos, 45 anos, a cheia fez com que as vendas tivessem uma queda de 85%. A loja do comerciante é localizada na rua dos Barés, atrás da feira da Manaus Moderna, onde a Prefeitura construiu pontes e passarelas para descolamento do público frequentador da área. 

O local está alagado, o mau cheiro e o lixo das águas contribuem para a redução do fluxo de pessoas. Carlos afirma que a construção de pontes, em vez de beneficiar os comerciantes, na verdade, atrapalhou.

Foto: Israel Mitta

“Não tem fundamento, não entendi porque eles fizeram essa ponte aí (no meio da rua), para isolar-nos mais ainda. Eu falei para um dos trabalhadores da construção: ‘já que vão isolar-nos, pelo menos façam uma ponte para chegar até aqui (na loja), e aqui nós mesmo finalizamos’. Eles responderam que não poderiam fazer nada além da ordem que eles receberam”, compartilhou o comerciante. 

Questionado sobre ter recebido algum auxílio da Prefeitura ou do Governo, ele diz: “Nada, nada! O secretário que está responsável pela balsa (feira flutuante), passou aqui e falou que iria ver se construía uma ponte em frente à loja, mas isso até agora não aconteceu. Estamos vulneráveis a doenças, eu me sinto obrigado a fechar, a água já adentrou a loja e não tem condições de trabalhar assim”, afirmou.

Além da rua dos dos Barés, no Centro de Manaus já foi interditada a rua Barão de São Domingos e trecho da avenida Eduardo Ribeiro, entre as avenidas Sete de Setembro e Floriano Peixoto. 

Foto: Marcely Gomes/Semcom

Cheia

Nesta quinta-feira (20), o nível do rio Negro atingiu a marca de 29,81 metros, sendo atualmente, a segunda maior cheia registrada na capital, faltando 16 centímetros para superar a marca histórica de 2012 de 29,97 metros, a maior dos últimos 100 anos.

Auxílios

Os auxílios disponibilizados pela Prefeitura de Manaus e pelo Governo do Amazonas têm como objetivo prestar assistência às famílias que moram nas áreas inundadas pelos rios Negro e Amazonas, durante a cheia.

Nesta quarta-feira (19/05), Jane Mara Moraes, titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) informou que até o fim do mês estará disponível o Auxílio Aluguel, no valor de R$ 300, por um período de dois meses, que irá beneficiar as famílias que precisam sair de suas casas por conta da cheia. O valor deverá somar ao Auxílio Enchente, no valor de R$ 200, operacionalizado pelo Fundo Manaus Solidária. 

No âmbito estadual, o governador Wilson Lima lançou o Cartão Estadual Auxílio Enchente, um cartão voltado especificamente para atender as famílias que foram afetadas pela elevação do nível dos rios no Estado. O benefício é no valor de R$ 300 em parcela única, e já está sendo distribuído em seis municípios. Boca do Acre, Lábrea, Tapauá, Catunama, Pauini e Anamã foram as primeiras localidades a receber os cartões.

Foto: Israel Mitta

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