Todos os anos, no segundo domingo do mês de maio, é celebrado o Dia das Mães no Brasil. Em 2021, a data que será dia 9, se tornou ainda mais especial por se tratar de tempos de isolamento social, causado pelo coronavírus. Com o início da pandemia, seguido por lockdowns e medidas restritivas, as grávidas tiveram que enfrentaram desafios para o nascimento e aumentar os cuidados.
Desafio esse que se intensificou para as mamães de primeira viagem. Considerada umas das etapas mais importantes e significativas na vida da mulher, o medo e a ansiedade, que são comuns nessa fase, aumentaram de forma significativa com o risco de contaminação.
A engenheira civil, Oscarina Koga, 25, é uma dessas mães que iniciou a gestação durante a pandemia. Logo início da gravidez, ela trabalhava em uma obra onde permaneceu até completar 5 meses, quando foi transferida para um escritório. Cerca de 30 dias depois, após alguns funcionários testarem positivos para Covid-19, houve a transição para o home office. Já em casa, durante os preparativos para o nascimento, a aflição aumentava ao acompanhar as notícias a respeito das dificuldades e disposição de materiais nos hospitais.
“No período próximo ao nascimento, fiquei apreensiva imaginando como seria a disposição no hospital para esse preparo. O que víamos na TV nos deixavam aflitos, imaginando que tudo estaria um caos e sem material para o procedimento. Ainda mais pois não sabíamos se seria Cesária ou parto normal”.

Com 37 semanas de gestação, o filho de Oscarina nasceu por parto normal e sem nenhuma complicação. Segundo a engenheira, o isolamento social foi e tem sido difícil pois desde o nascimento do filho, nenhuma visita foi feita por prevenção.
“O pós-parto foi difícil, pois somos do grupo de risco. Não pude nem ao menos ir fazer o enxoval, baby chá ou coisa parecida. E ficar em casa isolada é difícil, ficamos psicologicamente sensíveis, tem que ter muito emocional pra saber lidar. Meu bebe fará 2 meses e ainda não conheceu nenhum de seus avós”.

Ainda no cenário de mães que iniciaram suas gestações durante a pandemia, a cantora Adriana Oliveira, 20, também enfrentou os medos que o coronavírus ocasiona. Mesmo sendo uma gravidez planejada, seu pensamento era de que até o nascimento, a situação epidemiológica da Covid-19 em Manaus já teria melhorado. Antes de saber que estava grávida, viajou para a casa de seus pais no interior do Amazonas, onde adoeceu e após 15 dias, retornou para a capital já sentindo os sintomas mais comuns da gravidez, como os enjoos, foi quando a cantora decidiu fazer o teste que confirmou as suspeitas.
“Quando vi que o resultado deu positivo, mil coisas passaram pela minha cabeça, mas sempre mantive a fé em Deus. O medo era grande, conforme fui fazendo os exames, via que tudo estava bem com o bebê e comigo, mas mesmo assim eu temia pela nossa saúde”.

Ao completar 9 meses de gestação, a cidade enfrentava a segunda onda do coronavírus e as maternidades estavam lotadas. Apesar do receio de não ser atendida, Adriana se dirigiu a Maternidade Balbina Mestrinho já sentindo contrações e no mesmo dia o bebê nasceu, por parto normal. Depois disso, foram 4 dias para avaliação da saúde da mãe e do recém-nascido, o que gerou ansiedade por ficar em um quarto com outras 5 pessoas.
“Fui para a maternidade sabendo que o vírus estava circulando em muitos lugares e poderia infectar tanto a mim quanto o meu bebê. Os 4 dias que passei lá foram os mais difíceis pois não sabia quem poderia tá contaminado, mas superamos todas as dificuldades e hoje ele já está com 3 meses, esbanjando saúde”.

Apesar do Dia das Mães ser considerado um dos mais importantes do ano, movimentando a economia e as redes sociais, os cuidados devem ser redobrados durante a comemoração e a aglomeração deve ser evitada. De acordo com o Ministério da Saúde, os casos permanecem em alta em todo o Brasil e as medidas de prevenção como o uso de máscaras, higienização das mãos e o distanciamento social devem continuar sendo seguidas.



