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Pfizer confirma que Brasil ignorou propostas de vacinas

Em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid na manhã desta quinta-feira (13), o ex-presidente da Pfizer e atual gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murilo destacou que a empresa enviou três propostas para a compra de vacinas ao governo brasileiro. Murilo destacou que a carta, enviada em setembro de 2020, ficou sem resposta por três meses e não obtiveram resposta positiva e negativa do governo.

Carlos Murilo afirmou que a carta foi direcionada ao presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) e também para autoridades brasileiras. Entre eles, o vice-presidente Hamilton Mourão, o chefe da Casa Civil Braga Neto, o então ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o ministro da economia, Paulo Guedes e o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster.

Em depoimento, Carlos Murilo disse que iniciou as propostas ao governo do Brasil em maio de 2020 e enumerou as propostas oferecidas ao Brasil. Segundo ele, em 26 de agosto de 2020 a proposta foi 70 milhões de vacina ao Brasil. Para dezembro de 2020, seriam 1,5 milhão e para 2021 seriam destinados 3 milhões de doses no primeiro trimestre, 14 milhões no segundo trimestre, 26,5 milhões no terceiro trimestre e 25 milhões no quarto trimestre.

No depoimento de Fábio Wanjngarten, realizado nesta quarta-feira (12) na CPI, o ex-secretário da Secom informou que a quantidade era irrisória e por isso o governo não aceitou a proposta. O gerente-geral da Pfizer Carlos Murilo disse em depoimento que a baixa temperatura no armazenamento da vacina era preocupação do governo brasileiro.

Carlos Murilo também confirmou a presença do vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, em reunião com representantes da Pfizer realizada em dezembro de 2020 junto com Fábio Wajngarten e com o assessor especial da Presidência da República, Felipe Garcia Martins – que recentemente foi alvo de inquérito da Polícia Legislativa do Senado Federal por ato racista durante sessão plenária.

De acordo com relatórios da Pfizer, Eduardo Bolsonaro e Felipe Garcia Martins participaram brevemente da reunião. “Carlos Bolsonaro ficou brevemente na sala e saiu e Filipe permaneceu”, explicou.

Afirmação de Murilo é diferente do que foi dito pelo ex-secretário da Secom Wajngarten em depoimento na quarta-feira (18). Mas confere com informações do depoimento do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta na CPI. Segundo Mandetta, o Palácio do Planalto tinha uma “assessoramento paralelo” para medidas de enfrentamento da pandemia e que Carlos Bolsonaro participava das reuniões.

Carlos Murilo também destacou que países como Israel e demais que estão adiantados no processo de imunização com a vacina da Pfizer iniciaram o processo de negociação em meados de 2020. Ao ser questionado, Murilo informou que para acelerar o processo alguns países assinaram os contratos de compra antecipada à aprovação das agências reguladoras.

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