Olá habitantes do multiverso da nerdice! No Terra 92 Cast desta semana, recebi mais uma vez meu amigo Ricardo Mendonça para falarmos sobre mais uma obra absoluta dos quadrinhos, que neste ano faz 35 anos do seu lançamento. Estou falando de Batman: Cavaleiro das Trevas, do gênio Frank Miller. No podcast, que está disponível no Spotify, destrinchamos o enredo da trama e falamos sobre a importância de Cavaleiro das Trevas, assim como Watchmen, para o surgimento do que chamamos de Era Moderna dos Quadrinhos.
Na coluna de hoje vou continuar homenageando Cavaleiro das Trevas, mas procurando falar sobre o meu ponto de vista, a importância que este quadrinho tem em minha vida e o dia em que conheci pessoalmente o Frank Miller. Então, coloque seu bat-óculos, sente no seu bat-sofá e nos acompanhe em mais um Terra 92!
MEU HERÓI FAVORITO

Quem me acompanha aqui, acho que já percebeu que o Batman é o meu herói favorito. Logo em uma das primeiras colunas que escrevi aqui no O Primeiro Portal, falei sobre a polêmica que recentemente criou força, sobre o Batman ser um herói ou um psicopata. Para defender meu ponto de vista sobre o Batman ser um herói, citei uma palestra que vi do lendário quadrinista Neal Adams e até pedi a opinião profissional de uma psicóloga, Dra. Raquel Assayag (foi a oitava coluna Terra 92, vocês podem encontrar nos arquivos aqui do Portal, recomendo a leitura).
Batman foi o primeiro herói a ter um motivo para existir, ele é fruto do trauma de ter visto seus pais serem covardemente assassinados na sua frente, por um motivo torpe, um latrocínio (roubo, seguido de morte). As pessoas que ele mais amava foram tiradas dele de maneira violenta e ele fez um juramento que enquanto vivesse, ele lutaria para evitar que tragédia semelhante vitimasse outras pessoas. Batman também foi o primeiro herói a não ter nenhum superpoder, ele é um ser humano comum, que com sua determinação, resiliência e é claro, seus infinitos recursos, combate o crime na violenta Gotham City.
O QUADRINHO QUE MUDOU MINHA VIDA

O ano era 1987…fazia um ano que Dark Knight Returns tinha sido lançado nos Estados Unidos, mas naquela época, eu nem fazia ideia disso…eu tinha apenas 10 anos e como fazia todos os dias, fui na banca que ficava atrás do meu colégio, foi quando eu vi uma revista do Batman que se destacava no meio de todas as outras da banca, pois ela era grande, diferente das revistas em formato pequeno (os famosos ‘formatinhos’ da Editora Abril) que eu estava acostumado…quando vi o nome de Frank Miller na capa, comprei imediatamente. Já gostava de Frank Miller naquela época, acompanhava o que ele fazia no Demolidor da Marvel, pois misturava ninjas, artes marciais e tudo aquilo no auge da minha paixão por filmes do Bruce Lee e tendo sido criado vendo filmes de samurai com meu avô, é claro que mesmo pequeno, eu já curtia.
Batman: O Cavaleiro das Trevas saiu no Brasil em formato de minissérie em quatro capítulos e diferente das publicações da época, a Editora Abril preservou o tamanho original em formato americano, por isso ela saltava aos olhos na banca de revista.
Confesso que quando comecei a ler a revista, não entendi nada. Por que o Bruce Wayne está velho? Batman aposentado? O que está acontecendo? É claro que com 10 anos eu não compreendi de cara que aquilo se tratava de uma Graphic Novel, uma história fechada, que se passava em uma outra linha de tempo, fora da cronologia original da DC. Mas mesmo assim aquela história me cativou e eu segui comprando os outros capítulos da minissérie, mês após mês.
Ver o tormento de Bruce Wayne com a miséria e a violência em que Gotham mergulhou após a sua aposentadoria, ver que a inquietação e a sede de justiça ainda estavam dentro dele e vê-lo retomar o manto do morcego aos 55 anos, foi épico. Em Cavaleiro das Trevas vi o verdadeiro Batman, impiedoso com aqueles que fazem o mal, mas buscando sempre a justiça para àqueles que os governantes abandonaram à sua própria sorte.

Bruce Wayne, luta contra as próprias limitações da idade para voltar a ser o Batman, a mente pensa mas o corpo já não obedece tão bem, as dores são maiores, ele enfrenta velhos e novos adversários…mas o ápice de Cavaleiro das Trevas é o embate do Batman contra o Superman, que na Graphic Novel de Frank Miller, se tornou um “pau mandado” do governo dos Estados Unidos…interferindo em guerras e até mesmo perseguindo seus pares superpoderosos.
Quando o governo se vê ameaçado pela revolução que Batman está causando em Gotham e sendo amplamente divulgada pela mídia, ele recorre ao “azulão” que é enviado a Gotham para “parar” o Batman.

Mas o morcegão tem preparo…e junto com o Arqueiro Verde e a nova Robin, Carrie Kelly, ele consegue dar uma surra no Superman após o Arqueiro lançar uma flecha de kryptonita sintética, que o próprio Bruce criou…fantástico, não? Imagine aos olhos de uma criança…ver que o Batman derrotou o Superman!
Realmente Cavaleiro das Trevas impactou muito a minha vida e me tornei ainda mais fã do Batman e do Frank Miller por conta disso. Frank Miller ainda fez mais uma obra definitiva do homem-morcego, Batman: Ano Um que conta a história do começo da carreira do Batman e acabou por se tornar a origem definitiva do herói.
O DIA EM QUE CONHECI FRANK MILLER

Durante toda a minha vida, sempre acompanhei a obra de Frank Miller. Durante um bom tempo Frank parou de produzir, mas mesmo assim ele fez grandes obras como 300 e Sin City. Ele teve câncer, passou momentos atribulados na carreira após o ataque de 11 de setembro, passou a viver mais isolado e a não ir em Feiras de Quadrinhos, as chamadas Comic Cons. O grande responsável pela retomada de sua carreira foi o também lendário artista Jim Lee, que no começo dos anos 2010 se tornou o grande responsável criativo e editor-chefe da DC Comics. Jim ajudou Frank a recuperar sua saúde, o incentivou a produzir novamente para a DC Comics e seu primeiro projeto após a retomada da carreira, foi a terceira parte de Cavaleiro das Trevas (ele já havia produzido nos anos 90 uma continuação de Cavaleiro das Trevas, que não agradou a maioria dos fãs…a mim, sim! Hehehe
Em 2015, foi anunciado que Frank Miller viria ao Brasil pela primeira vez, para a Comic Con Experience, CCXP, em São Paulo. Ao saber disso, me programei juntamente com minha esposa (ainda namorada à época) para ir ao evento e assim finalmente poder conhecer meu ídolo de infância. Não sei o que se passava na minha cabeça naquela época, mas eu imaginava que só eu era fã de Frank Miller (olha a viagem do japonês, hehehe) e que não haveriam muitas pessoas para pegar seu autógrafo e eu conseguiria fazer isso de boa…chegando lá, haviam 400 pessoas na minha frente e que haviam passado a noite na fila para pegar o autógrafo do Frank, sendo que ele atende no máximo 80 pessoas por dia, devido às suas limitações de idade. Saí frustrado, mas vida que segue…sabia que ele um dia iria voltar.
Em 2016 foi anunciado que Frank Miller oltaria ao Brasil para a CCXP daquele ano, ele gostou tanto do carinho do público que resolveu voltar. Desta vez a sessão de autógrafos seria paga, isso facilitaria a limitação de pessoas e toda a renda seria doada para a caridade. No dia que os ingressos seriam vendidos online, loguei no site uma hora antes e fiquei dando ‘F5’ até a hora
programada para a venda. Para minha sorte, eu consegui comprar 3 ingressos, que dariam direito a 3 autógrafos e para meu espanto, as vendas acabaram em apenas 4 minutos!
No dia marcado fui para a CCXP, com meus 3 quadrinhos para o Frank Miller assinar e conforme a hora ia chegando, ia me dando um nervoso, cheguei a pensar que ia passar mal, hehehe…mas finalmente a hora chegou. Infelizmente a produção do evento proibiu de tirar foto, mas consegui meus autógrafos e de quebra controlei meu nervosismo e troquei algumas palavras com Frank Miller, disse que eu era do Amazonas e agradeci por sua obra. Ele foi muito agradável e receptivo, confesso que ao sair da cabine, chorei feito criança…finalmente tinha conhecido meu ídolo e agora tinha sua obra autografada.

Ainda reencontrei Frank Miller na sua terceira passagem pelo Brasil em 2019, na última CCXP com público antes da pandemia e por mais que já o tivesse encontrado duas vezes antes, a emoção é sempre a mesma, me sinto uma criança novamente. E posso dizer, o velhinho é muito gente boa e sem dúvida o carinho dos fãs faz muito bem a ele…long live Frank Miller!
Muito obrigado a todos que acompanharam mais esta coluna Terra 92, até semana que vem e para o alto e avante!



